Recordo-me como se fosse hoje.
Tínhamos recebido um casal conhecido para jantar. As coisas começaram logo a dar para o torto mal nos sentámos à mesa. Faltava o saca-rolhas e ele chamou-me estúpida pelo meu esquecimento. Durante toda a refeição elogiou a roupa, a maquilhagem, os brincos que a outra usava e comparava-a comigo, dizía-me para pôr os olhos na beleza dela.
Estava envergonhada. A outra ría-se baixinho, como um pequeno rato a desbastar o queijo e o banana do marido concordava com tudo o que o meu dizía.
Senti-me reles, pouco, inferior a qualquer mulher. Fiquei nervosa, tudo me tremía nas mãos, parecía que era a primeira vez que recebía gente em casa.
Tínhamos recebido um casal conhecido para jantar. As coisas começaram logo a dar para o torto mal nos sentámos à mesa. Faltava o saca-rolhas e ele chamou-me estúpida pelo meu esquecimento. Durante toda a refeição elogiou a roupa, a maquilhagem, os brincos que a outra usava e comparava-a comigo, dizía-me para pôr os olhos na beleza dela.
Estava envergonhada. A outra ría-se baixinho, como um pequeno rato a desbastar o queijo e o banana do marido concordava com tudo o que o meu dizía.
Senti-me reles, pouco, inferior a qualquer mulher. Fiquei nervosa, tudo me tremía nas mãos, parecía que era a primeira vez que recebía gente em casa.
Ele bebeu muito durante toda a noite, entaramelava a lingua, as palavras saíam pela metade, esquecía-se do que quería dizer, ría-se de boca aberta, sem pudor, batía as palmas ruidosamente.
Quando por fim o casal se foi embora, também já bem bebidos, ele voltou-se para mim, agarrou-me o pescoço, apertou, apertou, senti-me tonta com a sensação da cabeça ir explodir.
Não sei onde fui arranjar forças...
Dei-lhe uma joelhada nas partes que o fez dobrar e gritar de dor.
Foi nessa altura que o pontapeei. Muito. Repetidas vezes até me saltar o sapato do pé.
Essa foi a primeira e única vez que ele tentou agredir-me.
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