Não me considero uma pessoa violenta, dada a enfrentar os outros no contacto fisico. Embora já tivesse acontecido com o meu marido e com o meu cunhado, não os posso ver como actos de quem gere a sua vida na brutalidade da pancada. Aliás, essas atitudes só surgiram como manobras de defesa ao ataque de que estava ou estaría eminente a ser vitima.
Não posso tão pouco recorrer às teorias freudianas da ausência de um pai, ausência de pénis e transformar esta minha aparente propensão para a conduta mais radical em que eu detestaría o masculino. Mentira. Gosto de homens, muito. E tolo sería se apresentasse como desculpa para o meu comportamento algum facto obscuro na minha infância. Nada disso. Fui uma criança normal como todas as outras.
A verdade é que os gestos que tive não foram manipulados, ou seja pensados.
Saltaram como molas, uma causa-efeito que nem mesma eu sei bem porque se revelaram daquela forma.
Isto tudo para dizer que naquele tempo o boxe fazía-me bem. E que a falta dele me fez um mal danado.