O NEGÓCIO

O tempo não perdoa mas ameniza. Deixam de se olhar as coisas como tragédias em que todos têm forçosamente de morrer, ou por morte cometida por outrém ou num gesto de hara kiri.
Não tenho o minimo perfil de suicida e se alguém tem que penar que seja outro.
Passado algum tempo houve condições para estarmos os dois sentados à mesa. As refeições eram tomadas no maior silêncio, eu cuidava para que nada faltasse para que ele não tivesse que pedir.
Uma noite, entre o prato de sopa tirado e o tacho de carne estufada, agarrou-me no pulso, perguntou-me o que eu quería fazer da nossa vida.
Sentei-me.
Que mantivessemos o contrato de casamento.
Ele tería uma casa cuidada, alimento, uma esposa para exibir; Eu tería abrigo e meio de sustento por ele; Ele podía ter os affaires que entendesse desde que não os arrastasse para dentro de casa; Eu tería direito a não ser questionada.
Estendi-lhe a mão para selar o negócio.
Mas ele levantou-se e saiu porta fora.

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