Uma tarde a minha sogra apareceu. Sem aviso, cara de poucos amigos, determinada a meter-me na ordem.
Recebi-a amável como sempre, um pouco distante como se quer a uma nora, de serviço de chá reservado às visitas mais importantes, que ela tratou de condenar pelo risco de o pôr a uso.
Olhava incisivamente nos meus olhos quando falava mas quando eu lhe respondía ajeitava o guardanapo como se nada do que dissesse tivesse realmente importância. Ignorava-me.
Rangi os dentes, mordi a lingua, houve momentos em que me apeteceu corrê-la à vassourada da minha sala mas controlei-me até ao último segundo.
Já à despedida, como se nada lhe tivesse revelado, agarrou-me com força num braço, apertou até me fazer doer e disparou se eu tinha um amante.
Respondi-lhe que não, nem o quería.
Depois ameaçou-me, perdeu a compostura e avisou-me que se eu pusesse os cornos ao filho me lixava para toda a vida, deu meia-volta e foi-se.
Achei que o meu marido lhe tinha ido chorar no colo. Apercebi-me que ía entrar num percurso dificil do meu projecto, talvez me vigiasse para me condenar.
Mas na verdade eu não tinha por que temer. Ainda.
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